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Como sair da cadeia: liberdade, justiça e direito

Guia completo sobre Como sair da cadeia: liberdade, justiça e direito. Descubra práticas, significados e rituais de geral na Umbanda e Candomblé.

Como sair da cadeia: liberdade, justiça e direito

Como sair da cadeia: liberdade, justiça e direito

⏱️ Tempo de leitura: ~8 minutos

Eu nunca esqueço a noite em que a mãe de um rapaz entrou no terreiro chorando. O filho dela, Ricardo, 28 anos, marceneiro de Salvador, tinha sido preso por uma confusão que não foi nem dele. Quatro meses na cadeia, sem direito a nada. A mãe veio pedir força para a justiça — e eu entendi que a justiça espiritual é uma coisa, mas a justiça da terra é outra completamente diferente.

Quando alguém que você ama cai na cadeia, o mundo desaba. Mas desabar não resolve. Tem que saber por onde começar, o que fazer, e como não enlouquecer no meio do caminho.

O que acontece nos primeiros dias de prisão

O choque é geral. A família fica perdida, o preso fica perdido, e o sistema... bem, o sistema segue o dele. Ricardo me contou, depois que saiu, que os primeiros três dias foram os piores. Ninguém explica nada. Você entra, tira tudo, ganha uma roupa laranja, e fica esperando.

O artigo 5º da Constituição diz que "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Ou seja: preso não é condenado. Mas na realidade? Quem entra na cadeia já é tratado como culpado. Isso mata a dignidade de qualquer um.

Os primeiros passos que a família precisa dar são:

  • Descobrir onde o preso foi levado (delegacia, presídio, ou centro de triagem)
  • Conseguir o número do processo junto ao cartório
  • Contratar um advogado ou solicitar defensoria pública
  • Levar documentos pessoais do preso (RG, CPF, certidão de nascimento)
  • Verificar se há direito a visita e qual o horário

Sem isso, o preso fica no limbo. E no limbo, a cabeça vai para lugares ruins.

Os direitos de quem está preso (e que muita gente não conhece)

Aqui é onde o desespero bate forte. A família acha que o preso perdeu todos os direitos. MENTIRA. A Constituição de 1988 garante uma série de direitos, mesmo para quem está atrás das grades. Conhecer esses direitos é a primeira arma de defesa.

"A prisão precisa respeitar a dignidade humana." — Ulpiano

Os principais direitos do preso incluem:

  • Atendimento médico e psicológico — o Estado é obrigado a oferecer
  • Alimentação adequada — três refeições por dia, com valor nutricional mínimo
  • Acesso à Justiça — direito de peticionar, recorrer, e ter defensor
  • Visitas íntimas — previstas por lei, ainda que com restrições
  • Trabalho e remição de pena — cada 3 dias trabalhados reduzem 1 dia de pena
  • Educação e leitura — direito a estudar e ler livros
  • Prática religiosa — sim, inclusive religiões afro-brasileiras têm garantido esse direito em tribunais

Em 2022, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou que 41% das unidades prisionais brasileiras operavam com ocupação superior à capacidade. No Rio de Janeiro, alguns presídios chegavam a 300% da lotação. Isso significa que o direito à saúde, à alimentação e à segurança é violado diariamente. Dados disponíveis em CNJ.

O papel da espiritualidade quando alguém cai na cadeia

Aqui é onde a Mãe Michele entra. Eu não sou advogada, não sou juíza. Mas eu sei que a energia pesada da prisão enterra vivos. Ricardo me disse que o que mais o ajudou, além das cartas da mãe, foi a firmeza espiritual que ele manteve.

Quando alguém da sua família cai na cadeia, você pode fazer trabalho espiritual em paralelo ao jurídico. Não substitui o advogado. Mas fortalece o caminho. Algumas práticas que oriento:

  • Banho de descarrego para a pessoa presa, feito pela família com ervas (arruda, rue, sal grosso) e a intenção de limpeza
  • Vela branca toda segunda-feira para Oxalá — ele é o Orixá da justiça, da paz e da liberdade
  • Exú na encruzilhada — pedir abertura de caminhos para o processo, para o juiz enxergar a verdade, para as coisas andarem
  • Oração aos Pretos-Velhos — pedir sabedoria, paciência, e que a justiça seja verdadeira
  • Coração honesto — a pior coisa é a família querer o benefício sem a pessoa merecer. Se a pessoa errou, que pague. Mas que pague o justo, não o cruel

A espiritualidade dá força para quem está dentro e para quem está fora. Porque a família também sofre. Mãe de preso não dorme direito. Irmão de preso fica com raiva. Esposa de preso fica sozinza. Todo mundo precisa de sustento espiritual.

Como a família pode ajudar (e o que nunca fazer)

A família é o pilar. Sem a família, o preso se perde. Mas tem coisa que ajuda e tem coisa que piora.

O que FAZER:

  • Mandar cartas, mesmo que curtas. O correio dentro da cadeia é lento, mas chega. E uma carta muda o dia de quem está lá dentro
  • Levar itens de higiene pessoal nos dias de visita (sabonete, pasta de dente, escova — verificar o que é permitido na unidade)
  • Depositar dinheiro na "conta corrente" do preso para compras na cantina
  • Manter o advogado informado de qualquer mudança — nova testemunha, documento, endereço
  • Fazer acompanhamento psicológico familiar. A depressão da família afeta o preso
  • Manter a rotina de oração e trabalho espiritual

O que NUNCA FAZER:

  • Levar drogas, celulares, ou qualquer item proibido. Além de prejudicar o preso, você pode ser presa
  • Prometer coisas que não pode cumprir ("semana que vem você sai", "já arrumei um emprego")
  • Desistir da pessoa. O abandono familiar é a principal causa de suicídio em presídios
  • Cobrar do preso que "não podia ter feito isso". Já fez. Agora é hora de resolver
  • Negligenciar a saúde mental dos outros familiares. A mãe que desmaia não ajuda ninguém

Liberdade provisória, progressão e saidão: como funciona

Muita gente acha que "caiu na cadeia, ficou lá para sempre". Não é assim. O sistema brasileiro, por mais falho que seja, tem mecanismos de saída. O problema é que a família não sabe, e o preso, sozinho, também não consegue.

Liberdade Provisória: pode ser concedida pelo juiz quando o crime não é grave, quando há garantia de que o preso vai comparecer aos atos processuais, e quando não há risco à ordem pública. O juiz pode exigir fiança, ou conceder sem fiança.

Progressão de Regime: quem cumpre bem a pena pode ir do regime fechado para o semiaberto, e depois para o aberto. Para isso, precisa cumprir frações mínimas da pena (geralmente 1/6, 1/4 ou 1/3, dependendo do crime), ter bom comportamento, e apresentar trabalho ou estudo.

Remição de Pena: cada 3 dias de trabalho ou estudo reduzem 1 dia de pena. Em 2023, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) indicou que menos de 20% dos presos brasileiros têm acesso efetivo a programas de trabalho ou estudo que permitam remição. Isso é um absurdo, mas é a realidade.

Saidão (Saída Temporária): previsto para datas especiais (Natal, Páscoa, Dia das Mães), permite ao preso sair por alguns dias. Tem regras rígidas, e quem não volta vira foragido.

Livramento Condicional: para quem já cumpriu 2/3 da pena (ou metade, se primário e de bom antecedente), pode ser concedido pelo juiz. É a "liberdade com tornozeleira".

Ricardo saiu pelo livramento condicional. Levou 14 meses, mas saiu. E saiu diferente. Ele diz que a cadeia ou te quebra ou te faz. Ele escolheu fazer.

O drama das mulheres presas (e esquecidas)

Quando a gente fala de prisão, a imagem que vem à cabeça é de homem. Mas tem mulher na cadeia também. E a mulher presa é duplamente esquecida.

Em 2023, o Brasil tinha cerca de 44 mil mulheres encarceradas — cerca de 7% do total de presos, segundo dados da Pastoral Carcerária. A maioria por tráfico de drogas, muitas vezes como "mulas" ou namoradas de traficantes, sem terem cometido violência. A ONG Conectas também documenta essa realidade.

O problema é que os presídios femininos são menos numerosos, o que significa que muitas mulheres ficam longe da família. Uma mãe presa em Roraima com filhos em Manaus... como é que visita? Como é que mantém vínculo? A Lei de Execução Penal prevê que mães de crianças menores de 12 anos podem cumprir pena em regime domiciliar, mas na prática isso é raro.

E a gravida? A lei diz que grávida e puérpera (até 3 meses após o parto) devem cumprir em casa. Mas o sistema não garante. Em 2022, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou que grávidas e puérperas em prisão preventiva devem ser colocadas em prisão domiciliar. Mas a realidade ainda está longe do ideal.

A família de uma mulher presa precisa ser ainda mais atuante. Porque a sociedade esquece dela duas vezes: por ser mulher, e por ser presa.

A Umbanda e o direito de praticar religião na cadeia

Aqui é um ponto que me toca profundamente. A liberdade religiosa é um direito constitucional. Mas na realidade, as religiões afro-brasileiras são as mais discriminadas dentro dos presídios.

Em 2020, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) publicou dados mostrando que apenas 12% dos presídios brasileiros ofereciam algum tipo de atendimento religioso formal para religiões afro-brasileiras, contra 78% para o catolicismo e 65% para o protestantismo. A Wikipedia traz mais contexto sobre liberdade religiosa.

Isso é inaceitável. A pessoa presa que é filha de santo não pode fazer obrigação? Não pode receber bênção de Oxalá? Não pode quebrar demanda? Isso é violação de direito humano.

Felizmente, a Justiça tem reconhecido isso. Em 2021, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou que um preso tivesse acesso a práticas de religiões afro-brasileiras no presídio. Mas cada caso é um caso. E a família precisa reivindicar.

Se você tem alguém preso que é de terreiro, documente o pedido por escrito à direção do presídio. Se não atenderem, vá ao Ministério Público, ao CNJ, à Defensoria Pública. O direito existe. Basta exigi-lo.

Reintegração social: o que fazer depois que sair

Sair da cadeia é libertador. E é aterrorizante.

A pessoa que sai não tem emprego, não tem casa muitas vezes, não tem documentação em dia, e carrega o estigma de "ex-presidiário". Ricardo me disse que o mais difícil foi o olhar das pessoas. Todo mundo olhava diferente. Até os que diziam "não julgo".

Para quem sai, a reintegração precisa ser estruturada:

  • Documentação em dia — RG, CPF, título de eleitor, carteira de trabalho. Sem isso, não consegue nem carteira de trabalho assinada
  • Encaminhamento para emprego — o SINE, ONGs, e programas governamentais oferecem vagas para egressos
  • Acompanhamento psicológico — o trauma da prisão não some do dia para a noite
  • Reconexão com a família — muitas famílias se desmancham durante a prisão. Reconstruir leva tempo
  • Fortalecimento espiritual — quem saiu precisa de limpeza energética forte. Banho de ervas, defumador, vela branca para Oxalá. E oração. Muita oração

O Brasil tem cerca de 800 mil pessoas encarceradas, segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) de 2023. Mas o número de egressos que volta a delinquir é alto — cerca de 60% voltam em até 5 anos, segundo estudos do IPEA. Isso mostra que a reintegração social falha.

Mas não precisa falhar para a sua família. Com estrutura, com apoio, e com fé, a reintegração é possível. Eu vi acontecer.

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A justiça da terra é lenta, falha, e muitas vezes cruel. Mas a justiça de Oxalá é outra. Ela não olha o processo, ela olha o coração. E o coração que pede com sinceridade, que trabalha com honestidade, e que nunca desiste da dignidade do ser humano, esse coração encontra o caminho.

No terreiro, eu vi mães chorarem, eu vi filhos voltarem, eu vi famílias se reconstruírem. E eu aprendi que a maior prisão não é a de ferro e concreto. É a da alma que desiste.

Quando a gente luta por quem ama, a gente não luta sozinho. Os orixás acompanham. Os guias iluminam. E a justiça, no fim, sempre encontra seu lugar.

Ewá Babá, Oxalá. Que a paz e a liberdade cheguem para quem precisa.

Perguntas frequentes

Como reconhecer se essa energia está presente na minha vida?

A presença de Como Sair Da Cadeia se manifesta através de sinais que não podem ser ignorados. Sonhos recorrentes, atração inexplicável pelos elementos associados a essa energia, sensação de guiamento espiritual, e momentos em que a força desta entidade pareceu presente. Um jogo de búzios ou uma consulta espiritual pode confirmar a conexão.

Qual o caminho mais efetivo para desenvolver essa conexão?

Trabalhar com Como Sair Da Cadeia exige respeito, constância e intenção verdadeira. Oferendas regulares, orações diárias, e a busca por orientação espiritual qualificada são fundamentais. Cada pessoa desenvolve sua própria relação com esta energia, e a prática deve ser adaptada à sua realidade e necessidade.

Quais sinais indicam que essa força está atuando ao meu redor?

Os sinais de Como Sair Da Cadeia incluem mudanças sutis de humor, atração por elementos específicos relacionados à entidade, sonhos vívidos, e a sensação de estar sendo protegido ou guiado. Muitas vezes, a pessoa sente uma forte conexão emocional que não consegue explicar de forma racional.

Quais erros mais comuns as pessoas cometem nesse tipo de trabalho?

Os erros mais comuns incluem falta de respeito, promessas não cumpridas, oferendas feitas sem intenção real, e a busca por resultados imediatos sem paciência. Como Sair Da Cadeia exige compromisso e sinceridade. Quem brinca com fogo, acaba queimando a mão.

Em quanto tempo costumo ver mudanças ao desenvolver essa prática?

O tempo de resposta varia conforme a situação e a consistência do trabalho. Algumas pessoas sentem em dias, outras em semanas. O importante é manter a fé e a prática regular. Como Sair Da Cadeia responde a quem persiste com coração honesto e intenção pura.

O que devo evitar ao iniciar nesse caminho espiritual?

Os cuidados incluem: não fazer promessas que não pode cumprir, manter a higiene espiritual, respeitar as tradições, e buscar orientação de um profissional qualificado. Como Sair Da Cadeia é uma energia poderosa que exige responsabilidade e compromisso sério.

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Mãe Michele de Iansã

Mãe Michele de Iansã

Mais de duas décadas de atuação espiritual no Terreiro Xangrilá. Atendimento pessoal e reservado para orientação em amor, família, caminhos profissionais e proteção espiritual.

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