Michele de Iansã
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Orixás Femininos na Umbanda: Força, Amor e Sabedoria

Conheça os Orixás femininos da Umbanda e sua força, amor e sabedoria que moldam o universo espiritual afro-brasileiro.

Orixás Femininos na Umbanda: Força, Amor e Sabedoria

Segundo o IBGE, no Censo de 2010, cerca de 2% da população brasileira — mais de 3,8 milhões de pessoas — se declararam praticantes de religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé. Esse número, que muitos acreditam ser subnotificado por medo e preconceito, mostra o quanto essa espiritualidade está enraizada no Brasil. E no centro dessa prática, estão as energias femininas que sustentam e transformam. É como se ouvissem o nome de uma irmã que não sabiam que tinham. Na Umbanda, os Orixás femininos não são apenas divindades. São forças vivas que atravessam o nosso dia a dia, que aparecem no jeito de amar, de lutar, de cuidar, de renascer.

Segundo o IBGE, no Censo de 2010, cerca de 2% da população brasileira — mais de 3,8 milhões de pessoas — se declararam praticantes de religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé. Esse número, que muitos acreditam ser subnotificado por medo e preconceito, mostra o quanto essa espiritualidade está enraizada no Brasil. E no centro dessa prática, estão as energias femininas que sustentam e transformam.

Neste artigo, vou apresentar as principais Orixás femininos da Umbanda — Iansã, Oxum, Iemanjá, Nanã e Oxalá — e como cada uma dessas forças pode ser acionada na sua vida. Não como teoria distante, mas como caminho prático, do jeito que eu ensino nos meus atendimentos.


Por que os Orixás femininos são o alicerce invisível da Umbanda?

Os Orixás femininos são divindades que governam forças da natureza, emoções humanas e caminhos espirituais. Na Umbanda, eles são reverenciados com sincretismo, conectados a figuras católicas e à cultura popular. Cada um representa um aspecto da vida — do amor à guerra, da maternidade à justiça. Conhecê-las é entender melhor nossa própria jornada e encontrar parceiras espirituais para os desafios do dia a dia.

As principais Orixás femininos e seus poderes

OrixáDomínioCorSímbolo principal
IansãVentos, tempestade, mudançaVermelho e brancoRaio e espada
OxumAmor, beleza, riquezaAmarelo douradoEspelho e pavão
IemanjáMares, maternidade, proteçãoAzul e brancoConcha e sereia
NanãVelhice, sabedoria, morteRoxo e brancoCajado e lama
OxaláPaz, pureza, criaçãoBrancoPomba e cristal

Iansã: a força do vento e da transformação

Iansã (Oyá) é o Orixá dos ventos, das tempestades e das grandes mudanças. Quando a energia de Iansã entra em cena, nada fica parado. Ela é a força que arranca o velho para dar lugar ao novo, a que empurra quando o medo paralisa. Na Umbanda, Iansã é associada a Santa Bárbara e é reverenciada como protetora dos guerreiros, das mulheres fortes e de quem precisa de coragem para mudar.

Quando buscar Iansã?

  • Quando você está preso numa situação que não evolui há muito tempo
  • Quando o medo da mudança é maior que a vontade de viver
  • Quando precisa de coragem para tomar uma decisão difícil
  • Quando quer limpar o que não serve mais e abrir espaço para o novo

A força de Iansã não é delicada. Ela arranca com raiz. Mas arranca para plantar algo melhor. Eu sempre digo nos meus atendimentos: "Iansã não manda água. Ela manda vento. E o vento leva tudo que não tem raiz." Se você está agarrado em algo que já morreu, pode ter certeza — Iansã vai passar.

Na prática do terreiro, as oferendas a Iansã geralmente incluem acarajé, pimenta, cebola e vinho tinto. Elementos quentes, vermelhos, intensos — como ela. Quando uma pessoa precisa romper com um ciclo, eu oriento a acender uma vela vermelha na quarta-feira e pedir com palavras próprias, de coração aberto. Não precisa de reza decorada. Precisa de verdade.


Oxum: a doçura do amor e da prosperidade

Oxum (Oshun) é o Orixá do amor, da beleza, da fertilidade e da riqueza. Ela é a mais jovem das Orixás, de pele dourada e riso contagiante. Oxum governa os rios doces — águas que fertilizam, nutrem e atraem. Na Umbanda, ela é sincretizada com Nossa Senhora da Conceição e representa a doçura que cura feridas, o amor que transforma e a prosperidade que flui quando o coração está em paz. Conhecer a energia de Oxum é entender que beleza e abundância começam por dentro.

A UNESCO reconheceu, em 2008, as práticas religiosas de matriz africana — incluindo o culto aos Orixás como Oxum — como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Esse reconhecimento internacional mostra que a espiritualidade que nós praticamos aqui no Brasil não é "folclore". É tradição viva, ancestral e profundamente relevante.

Características de Oxum

  • Cor: Amarelo dourado, mel, âmbar
  • Símbolos: Espelho, pente, pulseira, pavão
  • Elementos: Mel, casca de laranja, canela, perfume de flor de laranjeira
  • Dia: Sábado
  • Sincretismo: Nossa Senhora da Conceição

Quando buscar Oxum?

  1. Para harmonizar o relacionamento e atrair amor verdadeiro
  2. Para recuperar a autoestima e se sentir bonita por dentro
  3. Para atrair prosperidade e abrir caminhos financeiros
  4. Para curar o coração após uma perda ou decepção

Na minha experiência, Oxum é a Orixá mais solicitada nos atendimentos. Não é à toa — ela toca onde dói: no coração. Quando uma pessoa está com a autoestima no chão, eu sinto o cheiro de laranja no ar e sei que Oxum está presente. Ela chega suave, mas transforma tudo. Como aquele rio que, de longe, parece calmo, mas carrega força suficiente para mudar o leito da terra.


Iemanjá: a mãe de todos os Orixás

Iemanjá (Yemoja) é a grande mãe, a Orixá dos mares, das maternidades e da proteção universal. Ela é reverenciada como mãe de todos os Orixás e representa o útero cósmico de onde tudo nasce. Na Umbanda, Iemanjá é sincretizada com Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora da Glória, sendo a entidade mais popular do Brasil — milhares de devotos homenageiam-na no Dia de Iemanjá, 2 de fevereiro.

O que Iemanjá governa?

  • Maternidade e gestação: proteção para mães e bebês
  • Intuição e sonhos: acalma a mente e revela caminhos
  • Lar e família: protege o espaço doméstico
  • Cura emocional: ampara quem sofre de tristeza profunda

Eu levo minhas filhas de santo para a praia todo ano no dia 2 de fevereiro. Desde que elas eram pequenas. Vemos o povo chegar de madrugada, com roupas brancas e azuis, carregando flores e presentes. E eu sempre explico: "Iemanjá não exige perfeição. Ela acolhe o quebrado, nutre o vazio e devolve inteiro." Essa é a lição mais bonita que essa Orixá ensina — e que eu tento passar nos meus atendimentos.

A Fundação Cultural Palmares, órgão do governo brasileiro, documenta e protege as manifestações culturais afro-brasileiras, incluindo as festas dedicadas a Iemanjá, que acontecem em todo o litoral brasileiro. Em Salvador, no Rio de Janeiro, em Florianópolis — o mar vira altar, e o povo, filho.


Nanã: a sabedoria do tempo e da transformação

Nanã (Nana Burukú) é a Orixá mais antiga, mãe de Iansã e mulher de Oxalá. Ela representa a velhice, a sabedoria ancestral, a lama e o início de tudo. Nanã vive nas profundezas da lama, onde a vida ainda está dormindo, esperando o momento certo de despertar. Na Umbanda, ela é sincretizada com Santa Ana e Nossa Senhora da Conceição, trazendo a paciência do tempo, a resiliência da terra e o poder de renascer.

Quando buscar Nanã?

  • Quando precisa de paciência para esperar o momento certo
  • Quando está lidando com a perda de alguém querido
  • Quando busca cura profunda — Nanã age nas raízes, não só nos sintomas
  • Quando quer se conectar com ancestrais e receber orientação espiritual

Nanã é a Orixá que as pessoas menos entendem — e mais precisam. Ela não é bonita no sentido óbvio. Ela é a lama, a velhice, a morte. Mas é também a primeira gota de vida. Sem Nanã, não há Oxum, não há Iemanjá. Tudo começa nela. Quando um cliente chega com dor antiga, algo que "não sai", eu já sei: é Nanã que precisa ser chamada. Oferendas a Nanã são simples, mas profundas: inhame, feijão preto, azeite de dendê — comida de terra, de raiz.


Oxalá: a paz e a pureza da criação

Embora Oxalá (Obatalá) seja frequentemente associado à figura masculina, na tradição iorubá e na Umbanda, Oxalá é o Orixá da criação, da paz, da pureza e do equilíbrio — uma força neutra e primordial. É considerado o Orixá mais velho e sábio, responsável por moldar os corpos e dar consciência aos humanos. Na Umbanda, Oxalá é sincretizado com Nosso Senhor do Bonfim, representando a serenidade que cura, a calma que decide e a pureza que protege. Quando a cabeça não para, eu oriento as pessoas a buscarem a paz de Oxalá antes de qualquer decisão.

Características de Oxalá

  • Cor: Branco total — roupa, acessórios e alimentos
  • Símbolo: Cristal, pomba, escada de sete degraus
  • Elementos: Água de coco, obi, algodão, farinha de mandioca
  • Dia: Quinta-feira e sexta-feira
  • Qualidade: Paz, justiça, equilíbrio, cura

Oxalá é o Orixá que eu recomendo quando a pessoa está "sem chão". Quando a cabeça não para, quando o sono não vem, quando a decisão parece impossível. Oxalá não grita. Ele sussurra. E no silêncio dele, a gente encontra resposta. Como me ensinou minha mãe de santo há muitos anos: "Oxalá não resolve o problema. Ele te dá a cabeça para resolver."


Como se conectar com os Orixás femininos no dia a dia?

Se conectar com um Orixá feminino não exige ser iniciado em terreiro — exige intenção, respeito e sinceridade. Aqui estão formas simples de aproximação que eu oriento nos meus atendimentos:

  1. Aprenda sobre o Orixá: estude suas histórias, símbolos e características
  2. Use as cores dele: vista algo da cor do Orixá no dia dele
  3. Ofereça comida de raiz: frutas, doces, água — sempre com intenção
  4. Medite na natureza: perto de rios (Oxum), mar (Iemanjá), vento (Iansã)
  5. Peça orientação numa consulta espiritual: o médium pode identificar qual Orixá está presente na sua vida

Tem uma ideia errada que eu gostaria de corrigir: muita gente acha que precisa de dinheiro para se conectar com um Orixá. Não precisa. Uma vela, uma flor, uma oração de coração — isso já é oferenda. O que importa é a intenção, não o valor.


Quando procurar uma consulta espiritual?

Se você sente que precisa de orientação mais direta sobre qual Orixá está presente na sua vida, ou se está passando por um momento de grande desafio e quer entender a causa espiritual por trás, uma consulta espiritual pode trazer clareza. O trabalho espiritual não substitui o médico ou psicólogo, mas complementa o cuidado com a alma.

Se você sente que a vida está pedindo uma virada de página, uma consulta espiritual personalizada com a Mãe Michele pode revelar qual Orixá está mais presente no seu caminho e como trabalhar essa energia para transformar sua realidade.

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Referências externas:


Todo ano, no dia 2 de fevereiro, eu levo minhas filhas de santo pra praia. A gente chega cedo, antes do sol rachar, e já vê o povo de branco e azul carregando flores, perfumes, presentes. Eu olho pro mar e sinto o cheiro de lavanda que minha mãe de santo usava quando ia fazer oferenda. E eu lembro da primeira vez que Iemanjá me falou — não com palavras, mas com aquela calma que só o mar tem. Desde então, eu nunca mais me senti sozinha. Os Orixás femininos estão em toda mulher que levanta, que cuida, que luta, que recomeça. E se você está lendo isso agora, saiba: alguma delas já está do seu lado. Só falta você perceber.

Odoyá!

Perguntas frequentes

Qual é o dia da semana de cada Orixá feminino?

Iansã é reverenciada às terças e quartas-feiras; Oxum aos sábados; Iemanjá às sextas-feiras e no dia 2 de fevereiro; Nanã às terças-feiras; e Oxalá às quintas e sextas-feiras. Cada dia carrega a vibração específica do Orixá.

Como saber qual Orixá feminino me protege?

Através de uma consulta espiritual ou jogo de búzios com um sacerdote experiente. Sinais na vida também ajudam: atração por certas cores, elementos da natureza ou características pessoais podem indicar afinidade.

Posso ser filho de mais de um Orixá feminino?

Na tradição, cada pessoa tem um Orixá de cabeça principal, mas pode ter afinidade com vários. Na Umbanda, é comum receber a luz de diferentes Orixás ao longo da vida.

Orixá feminino e santo católico são a mesma coisa?

Não, mas na Umbanda existe o sincretismo — a união de Orixás com santos católicos. Isso surgiu historicamente durante a escravidão, quando africanos precisavam esconder sua fé. Hoje, é uma forma de unir tradições.

Mulheres e homens podem ser filhos de Orixás femininos?

Sim. O gênero do Orixá não determina o gênero do filho. Um homem pode ser filho de Iemanjá, assim como uma mulher pode ser filho de Ogum. O Orixá escolhe quem protege.

Quais oferendas devo fazer para cada Orixá feminino?

Para Iansã: acarajé, pimenta, vinho tinto e cebola. Para Oxum: mel, casca de laranja, canela e perfume de flor de laranjeira. Para Iemanjá: flores brancas, perfume, sabonetes e doces. Para Nanã: inhame, feijão preto, azeite de dendê e comida de terra. Para Oxalá: água de coco, obi, algodão e farinha de mandioca.

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Mãe Michele de Iansã

Mãe Michele de Iansã

Mais de duas décadas de atuação espiritual no Terreiro Xangrilá. Atendimento pessoal e reservado para orientação em amor, família, caminhos profissionais e proteção espiritual.

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