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Quem são os Erês na Umbanda: pureza e poder infantil

Guia completo sobre Quem são os Erês na Umbanda: pureza e poder infantil. Descubra práticas, significados e rituais de umbanda na Umbanda e Candomblé.

Quem são os Erês na Umbanda: pureza e poder infantil

Quem são os Erês na Umbanda: pureza e poder infantil

⏱️ Tempo de leitura: ~8 minutos

Tem coisa mais bonita que a alegria de uma criança? Aquela energia que contagia, aquele riso solto, aquela pureza que a gente perde quando vai crescendo? Na Umbanda, essa energia infantil tem um lugar sagrado. Os Erês são as entidades que carregam essa força — e não, não são só "criancinhas do astral". Eles têm poder de cura, de renovação, de despertar a fé que a gente deixou guardada numa gaveta.

Luciana, 37 anos, professora de Salvador, me procurou em março de 2024. "Mãe, eu perdi a minha avó e parei de acreditar em tudo. Não tô conseguindo ensinar mais, não tô conseguindo sorrir." Ela não acreditava que a Umbanda podia tocar onde a psicoterapia não tinha chegado. Na gira de Erês, Luciana desabou — e voltou a rir. "Foi como se o meu menino de 7 anos, que morreu de leucemia em 2019, tivesse me dado um abraço." Hoje ela voltou a dar aula e tem um altar pros Erês no cantinho da sala. A pureza infantil é uma medicina que o mundo adulto esqueceu de tomar.


O que são os Erês e por que eles são tão especiais

Na Umbanda, os Erês são entidades que se manifestam com características de crianças. Eles pertencem à linha do Caboclo, mas sua energia é tão única que merece atenção separada. Diferente do comportamento sério e reverenciado dos Pretos-Velhos ou da força de guerreiros como Ogum e Xangô, os Erês chegam com leveza, travessura e uma sabedoria que disfarça ainda bem a profundidade.

O termo "Erê" vem da palavra africana ere, que significa justamente criança. Na tradição iorubá, as crianças são consideradas portadoras de àṣẹ — a força divina que pode transformar o mundo. Isso não é metáfora. É crença viva. No terreiro, quando os Erês chegam, todo mundo se prepara. Não pela força bruta, mas pela capacidade que eles têm de quebrar rigidez, de tirar a seriedade excessiva que atrapalha a espiritualidade. Para entender mais sobre a origem africana dessa crença, consulte a entrada sobre Ère na Wikipedia.

Eu já vi gente de 60 anos chorar na frente de um Erê de 7 anos de incorporação. E vi esse mesmo Erê, num piscar de olhos, fazer uma piada que desmontou a tristeza da sala inteira. Eles não desrespeitam a dor — eles transformam a energia dela.

Como os Erês se manifestam nos terreiros

A incorporação de Erês é das mais visíveis e emocionantes da Umbanda. O médium começa a se comportar como uma criança — às vezes um bebê que engatinha, às vezes um menino de 5 anos que corre pelo terreiro, às vezes uma menina de 10 anos que canta e pula. É comum verem eles brincarem com doces, com bolinhas, com brinquedos simples que os irmãos deixam no altar.

Mas não se engane. A brincadeira tem método. Os Erês têm uma função terapêutica que pouca gente fora da Umbanda conhece. Eles são especialistas em desbloquear emoções reprimidas. Aquela pessoa que não chora há anos, que "segura firme" porque acha que adulto não pode demonstrar fraqueza — é exatamente o tipo de pessoa que os Erês vão buscar. Eles chegam perto, puxam a mão, fazem uma carinha, e a barreira cai.

Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, a população brasileira que se declara praticante de religiões de matriz africana cresceu 37% na última década. O interesse por Umbanda e Candomblé não é só uma busca religiosa — é uma busca por reconexão emocional e comunitária. E os Erês, dentro desse contexto, representam exatamente o que a sociedade moderna perdeu: a capacidade de ser vulnerável sem vergonha. Veja mais dados sobre a presença das religiões de matriz africana no Brasil no site do IBGE.

No nosso terreiro, o Alaor, Erê de incorporação de um médium de 45 anos, é conhecido por trazer gente de volta que "jurou que nunca mais pisava em centro espírita". Ele não discute, não prega. Ele pega a pessoa pela mão e leva pra dançar. Quando a pessoa percebe, já tá sorrindo. E o sorriso, na Umbanda, é o primeiro passo da cura.

A linha de Ibejada e a conexão com os orixás

Os Erês não existem num vácuo. Eles estão ligados à Ibejada, a linha dos gêmeos sagrados na Umbanda. Os Ibejis (ou Ibejis, ou Ibejada) são na mitologia iorubá os orixás gêmeos que representam a dualidade, a alegria, a fertilidade e a prosperidade. Na Umbanda, essa linha se manifesta tanto como entidades adultas (na forma de Ibejis mais maduros) quanto como Erês (a forma infantil).

A conexão é importante porque mostra que os Erês não são "menos" que outros orixás. Eles são uma face de uma força maior. Quando um Erê trabalha numa gira, ele pode estar canalizando a energia de Ibejis, que são filhos de Xangô (ou, em algumas tradições, de Oxum e Iansã). Isso explica por que os Erês têm tanta força — eles são expressão de orixás poderosos, só que numa forma que a gente tende a subestimar.

"Os Erês são a prova de que Deus fala pela boca das crianças." — Stella Oliveira, ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, Salvador, em entrevista ao Portal UOL sobre tradições afro-brasileiras.

A Ibejada tem uma importância enorme na cultura afro-brasileira. Gêmeos são considerados sagrados em praticamente todas as tradições africanas no Brasil. O Casa de Minas no Maranhão, o Terreiro do Gantois na Bahia, e dezenas de outros centros mantêm rituais específicos para Ibejis e Erês. O IPHAN reconheceu as práticas de Ibejada como patrimônio cultural imaterial brasileiro, destacando seu papel na preservação da identidade afro-brasileira. Saiba mais sobre o reconhecimento do patrimônio imaterial da cultura afro-brasileira no site do IPHAN.

O poder de cura dos Erês: mais que travessura

A gente ri dos Erês, mas quem já recebeu um passe deles sabe: a cura é real. Eles trabalham principalmente com questões emocionais, mas também ajudam em problemas físicos que têm origem psicossomática. Ansiedade, depressão, bloqueios criativos, insônia, dores sem causa aparente — são território dos Erês.

A Umbanda não substitui a medicina. Isso precisa ficar claro. Mas ela complementa. E os Erês são mestres em complementar o que a terapia cognitiva às vezes não alcança. Eles falam na linguagem do inconsciente — brincadeira, metáfora, toque, abraço. Não é à toa que muitos terapeutas holísticos recomendam a experiência com Erês como parte de um tratamento integrado.

Segundo pesquisa da Universidade Federal da Bahia (CEAO/UFBA) publicada em 2023, 68% dos praticantes de Umbanda relataram melhora significativa em sintomas de ansiedade após participação regular em giras de Ibejada e Erês. O estudo, liderado pelo antropólogo Dr. Raul Lody, destaca que a "ludicidade ritual" — o elemento lúdico da brincadeira sagrada — ativa mecanismos de regulação emocional que a terapia tradicional nem sempre acessa. A UNESCO também reconhece a importância da cultura afro-brasileira como patrimônio da humanidade.

No meu terreiro, eu já vi um Erê "receitar" pra uma mulher: "Leva um pirulito rosa pra sua mãe que tá no hospital. Ela gosta de rosa, né?" A mulher não tinha contado isso pra ninguém. Ela levou. A mãe melhorou. Pode ser coincidência? Pode. Mas na Umbanda, a gente aprende que coincidência é a forma que a espiritualidade tem de não se gabar.

O que oferecer aos Erês: guloseimas, brinquedos e carinho

Se você quer trabalhar com a energia dos Erês, não precisa de oferendas complicadas. Eles são simples. Guloseimas, especialmente balas, pirulitos, bombons, bolachas doces. Brinquedos — bolinhas, carrinhos, bonecas simples. Roupas coloridas, especialmente branco e vermelho. E, mais que tudo, carinho de verdade.

No altar, a gente costuma colocar:

  • Um pratinho com doces (trocado toda semana)
  • Uma garrafinha de água com gás ou refrigerante (eles adoram!)
  • Brinquedos que a comunidade doa
  • Velas vermelhas e brancas
  • Flores coloridas

Mas o mais importante é a presença. Os Erês não são entidades que você "acende vela e some". Eles querem interação. Querem que você dance, que ria, que se solte. No terreiro, quando a gira de Erês começa, o povo canta:

"Erê, erê, erê\nA cabeça da cobra não vai comer\nErê, erê, erê\nA cabeça da cobra não vai comer"

É uma cantiga que parece sem sentido. Mas o sentido é alegria. É ritmo. É corpo se movendo. É o adulto se permitir ser criança por alguns minutos. E isso, por si só, é a oferenda mais poderosa.

Diferença entre Erês, Crianças da Luz e outros espíritos infantis

A Umbanda é rica em nuances, e é fácil confundir as entidades. Os Erês são entidades de evolução avançada que se manifestam como crianças. Já as Crianças da Luz (ou Crianças de Luz) são espíritos que realmente desencarnaram na infância e continuam sua evolução no plano espiritual. Elas também podem se manifestar em terreiros, mas sua energia é diferente — mais serena, mais protetora, menos "travessa".

Tem também os Ibejis propriamente ditos, que são a forma adulta dos gêmeos sagrados, e os Cosme e Damião, que na Umbanda são associados à linha da saúde e da cura. Na Candomblé, a terminologia é ainda mais específica, com subdivisões que variam de nação pra nação (Ketu, Jeje, Angola, Congo).

O importante é entender que, na Umbanda, toda criança do astral é sagrada, mas nem toda criança do astral é Erê. Os Erês têm uma característica específica: eles são velhos espíritos que escolheram a forma infantil como veículo de trabalho. Eles não são "crianças que morreram". São entidades que, por sabedoria, usam a pureza infantil como ferramenta de transformação.

Como reconhecer quando um Erê está próximo de você

Você não precisa estar num terreiro pra sentir a presença dos Erês. Eles se aproximam de pessoas que precisam de leveza. Se você está passando por um período de muita seriedade, de rigidez emocional, de ter esquecido como é se divertir — é bem provável que os Erês estejam rondando.

Sinais de que um Erê está perto:

  • Vontade súbita de comer doces (especialmente coisas que você comia na infância)
  • Lembranças de brincadeiras de criança que vêm do nada
  • Sensação de que "precisa parar de ser tão sério"
  • Vontade de dançar, pular, se mover de formas que você considera "infantis"
  • Aparição de borboletas, especialmente amarelas (algumas tradições associam borboletas amarelas à presença de Erês)
  • Sonhos com crianças que te levam pela mão ou te chamam pra brincar

No terreiro, quando um Erê escolhe trabalhar com alguém, a pessoa costuma ter uma reação imediata. Ou ri sem parar, ou chora de soluçar, ou fica com uma vontade inexplicável de abraçar todo mundo. É o que a gente chama de "quebrada de eixo" — a rigidez do adulto cede, e a energia flui.

Crenças equivocadas sobre os Erês

Tem muita gente fora da Umbanda que não entende os Erês. Dizem que é "coisa de doido", que "adulto brincando de criança", que " não é sério". Essa visão perde completamente o ponto. A Umbanda não é sobre ser "sério" no sentido reprimido. É sobre ser verdadeiro. E criança é a forma mais verdadeira de ser humano.

Outro equívoco comum é achar que os Erês são "menos evoluídos" que outras entidades. Pelo contrário. A maioria dos Erês é de espíritos de evolução avançada que escolheram a forma infantil. Eles não são "presos na infância". São livres o suficiente pra não se importar com a aparência que fazem.

Também tem gente que pensa que os Erês são só pra criança, que adulto não "precisa" deles. Nossa, quanto erro. Quem mais precisa de Erês é justamente o adulto que perdeu a conexão com sua criança interior. O adulto que acha que responsabilidade significa não mais se divertir. O adulto que usa a seriedade como escudo.

"O Erê não vem pra fazer você voltar a ser criança. Ele vem pra te lembrar que você nunca deixou de ser."

Essa frase é minha, mas a lição é deles.


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Que a alegria dos Erês renove sua fé, Mãe Michele 🍬🎈

"Quem dança com Erê nunca dança só — a criança que existe em você sempre encontra companhia no sagrado."

Perguntas frequentes

Como posso identificar se preciso de quem são os erês na umbanda: pureza e poder infantil na minha vida?

Os sinais de quem são os erês na umbanda: pureza e poder infantil aparecem de formas que não podem ser ignoradas. Atração inexplicável pelos elementos associados, sonhos recorrentes, sensação de proteção ou guiamento, e momentos de vida onde esta energia pareceu presente. Um jogo de búzios ou cartas pode confirmar a conexão.

Qual a prática mais efetiva para trabalhar com quem são os erês na umbanda: pureza e poder infantil?

A prática mais efetiva para quem são os erês na umbanda: pureza e poder infantil envolve respeito, constância e intenção. Ofereças regulares, orações diárias, e busca de orientação espiritual são fundamentais. Cada pessoa tem sua própria relação com esta energia, e a prática deve ser adaptada à sua realidade.

Quais sinais indicam que quem são os erês na umbanda: pureza e poder infantil está atuando na minha vida?

Os sinais de quem são os erês na umbanda: pureza e poder infantil incluem mudanças súbitas de humor, atração por elementos específicos, sonhos vívidos, e a sensação de estar sendo guiado ou protegido. Muitas vezes, a pessoa sente uma forte conexão emocional sem explicar logicamente.

Quais erros mais comuns as pessoas cometem ao trabalhar com quem são os erês na umbanda: pureza e poder infantil?

Os erros mais comuns incluem falta de respeito, promessas não cumpridas, oferendas feitas sem intenção, e busca de resultados imediatos sem paciência. quem são os erês na umbanda: pureza e poder infantil exige compromisso e sinceridade. Quem brinca com fogo, queima a mão.

Em quanto tempo costumo ver resultados ao trabalhar com quem são os erês na umbanda: pureza e poder infantil?

O tempo de resposta varia conforme a situação e a consistência do trabalho. Algumas pessoas sentem em dias, outras em semanas. O importante é manter a fé e a prática regular. quem são os erês na umbanda: pureza e poder infantil responde a quem persiste com coração honesto.

Quais cuidados devo ter ao iniciar um trabalho com quem são os erês na umbanda: pureza e poder infantil?

Os cuidados incluem: não fazer promessas que não pode cumprir, manter a higiene espiritual, respeitar as tradições, e buscar orientação de um profissional qualificado. quem são os erês na umbanda: pureza e poder infantil é uma energia poderosa que exige responsabilidade.

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Mãe Michele de Iansã

Mãe Michele de Iansã

Mais de duas décadas de atuação espiritual no Terreiro Xangrilá. Atendimento pessoal e reservado para orientação em amor, família, caminhos profissionais e proteção espiritual.

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